terça-feira, 7 de Julho de 2009

Pinto da Costa, versão benfiquista

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Proposta para o fim de semana

Discursos improváveis (?)

Mário Lino - Ó Sócrates, não achas que devíamos dar ouvidos aos polícias para eles deixarem de vir aqui para a porta de tua casa reclamarem? Dá uma péssima imagem a poucos meses das eleições.

- Sócrates - Ó Mário tu nem penses! Pelo menos estou seguro. Com esta vaga de criminalidade que por aí anda, ter umas centenas de polícias à porta é garantia que ninguém tenta assaltar-me a casa!

Manuel Pinho: um par... para Sócrates.

Depois de ter sido apanhado a mais de 200 kms por hora na A1; depois de ter declarado o fim da crise há mais de um ano; depois de ter dito no estrangeiro que um bom motivo para se investir em Portugal eram os nossos baixos salários; depois de palhaçada atrás de palhaçada, Manuel Pinho foi-se embora. Mas, reconheça-se que foi em grande! E mostrou a grande tourada que é, neste momento, a vida política portuguesa.
O gesto era para a oposição. Mas a verdade é que com esta atitude que agrava ainda mais a imagem dos nossos governantes, o verdadeiro receptor do par de chifres acabou por ser Sócrates, traído em pleno Parlamento.
Mais surreal ainda foi ver Manuel Pinho no hemiciclo, a garantir que tinha todas as condições para continuar como Ministro... 10 minutos antes de ser anunciada a sua demissão. Cá para mim é Sol a mais, apanhado em alguma praia "allgarvia",

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

O Presidente e as sondagens

Segundo parece, o Presidente da República recebeu os dados de sondagens que indicavam que 70% dos portugueses queriam que as eleições legislativas e autárquicas fossem no mesmo dia. Ora bem, sabendo nós a fiabilidade das nossas empresas de sondagens (veja-se o caso das eleições europeias onde todas davam a vitória ao PS), podemos adiantar que Cavaco vai marcar as eleições para dias diferentes, pois se as empresas de sondagens dizem que todos queremos despachar tudo num dia, Cavaco tem razões para acreditar que na verdade os portugueses querem separar no tempo os dois acontecimentos.

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Obama assassinou uma mosca em frente às cãmaras de TV. Esperam-se reacções de protesto violento por parte das associações de protecção de animais, bem como de todos os budistas.

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Felizmente não temos nenhum Berlusconi

Em Itália, assistimos a um Governante como Berlusconi - de direita - a defender os valores da família, e depois descobre-se que na sua vivenda dá umas festas com meninas e senhores nus, ao mesmo tempo que se envolve com mocinhas com idade para serem suas filhas e escolhe deputadas pelo seu aspecto físico.
Felizmente, em Portugal, não temos governantes destes. Antes pelo contrário. Os nossos governantes - que são de esquerda - promovem os valores da família até à exaustão. Veja-se o caso do ministro da Justiça, Alberto Costa. O senhor, defensor acérrimo da família, arranjou um empregozito para a filha que lhe permite trabalhar pouco e ganhar muito. Isto sim é um homem de valores! Com esta medida, contribuiu certamente para unir os laços familiares com a sua filha Isabelinha, o que não deixa de ser muito ternurento.


Daqui por uns tempos, certamente que a menina Isabel Dutra Sanos poderá aspirar a fazer umas comprazitas na loja dos EUA onde o tio Sócrates tem o nome na vitrine. E assim se espalham os méritos do socialismo à portuguesa. A bem da Nação!

Socialismo 5 estrelas

Segundo foi noticiado na comunicação social, o nosso Primeiro Ministro é cliente de uma das mais exclusivas e caras lojas de roupa nos EUA. O seu nome consta inclusivamente de uma das vitrines, onde se pode ler "José Sócrates, Prime Minister of Portugal". Pode também ver-se que tem como companheiros Steven Spielberg, Vladimir Putin (mais um socialista convicto), sir Elton John, Robert de Niro, Al Pacino, Rudy Giuliani e um sultão, entre outros.

É bom saber que não é só o Cristiano Ronaldo que gasta milhões em bens de primeira necessidade. O nosso Primeiro Ministro também investe em roupitas de luxo, certamente para animar a economia norte-americana (que, como sabemos é o motor da economia ocidental e, como tal, da portuguesa).

Obrigado José Sócrates, por colocar o nome de Portugal numa das mais luxuosas vitrines do Mundo. Esta atitude dá-nos a todos o optimismo necessário para continuarmos a viver com salários miseráveis, impostos escandalosos e muitas outras dificuldades. Tal como as estrelas de cinema e do desporto nos fazem sonhar e, com isso, nos aliviam das tristezas diárias, também as compras dos trapitos do nosso Primeiro Ministro nos levam para esse mundo encantado.

quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Provérbios populares

1) Em Janeiro sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a cantar, se
vires Sócrates, põe-te a chorar.

2) Quem vai ao mar avia-se em terra; quem vota Sócrates, mais cedo se enterra.

3) Sócrates a rir em Janeiro, é sinal de pouco dinheiro.

4) Quem anda à chuva molha-se; quem vota em Sócrates lixa-se.

5) Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão; parvo que vota em
Sócrates, tem cem anos de aflição.

6) Gaivotas em terra temporal no mar; Sócrates em Belém, o povinho a penar

7) Há mar e mar, há ir e voltar; vota Sócrates quem se quer afogar.

8) Março, marçagão, manhã de Inverno tarde de Verão; Sócrates, Soarão,
manhã de Inverno tarde de inferno.

9) Burro carregando livros é um doutor; burro carregando o Sócrates é
burro mesmo.

10) Peixe não puxa carroça; voto em Sócrates, asneira grossa.

11) Amigo disfarçado, inimigo dobrado; Sócrates empossado, povinho atropelado.

12) A ocasião faz o ladrão, e de Sócrates um aldrabão.

13) Antes só que mal acompanhado, ou com Sócrates ao lado.

14) A fome é o melhor cozinheiro, Sócrates o melhor coveiro.

15) Olhos que não vêem, coração que não sente, mas aturar o Sócrates,
não se faz à gente.

16) Boda molhada, boda abençoada; Sócrates eleito, pesadelo perfeito.

17) Casa roubada, trancas na porta; Sócrates eleito, ervas na horta.

18) Com Sócrates e bolos se enganam os tolos.

19) Não há regra sem excepção, nem Sócrates sem confusão.

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

José Sócrates: síndrome de Luís XIV

José Sócrates imaginava-se assim como que um Luís XIV português: tal como o rei-Sol, que afirmava “O Estado sou eu”, o nosso Primeiro Ministro estava convencido que os Portugueses o veneravam de tal forma que consideravam que as únicas opções que tinham seriam entre ele e o caos. Por isso, actuou como se as medidas que foi tomando – e que levantaram enormes objecções de vastos sectores sociais – fossem iluminadas. O povinho, ignorante, esperneava porque não entendia a magnitude daquilo que ia passando na mente esclarecida do nosso grande líder. Com espírito paternalista, Sócrates assumiu aquela posição snob de não ter de ouvir os outros – sobretudo quando os outros o criticavam – convencido que, no final, o povo português iria continuar a aturar todos os seus devaneios.

Os resultados das eleições europeias mostraram que, às vezes, o povo sabe o que faz. E Sócrates perdeu para o PSD, algo que há uns meses atrás pareceria um cenário de ficção científica. Armado em "chico-esperto", Sócrates foi buscar um candidato de ideias pouco constantes (esperando que, ao escolher um ex-comunista isso lhe desse votos à esquerda) e engendrou uma campanha de vitimização que teve um dos seus pontos altos aquelas cenas caricatas de Vital Moreira a ser “agredido”. Sócrates não percebeu que já demos para esse filme. Resultou com Mário Soares, mas Vital Moreira não é Soares e aquilo foi muito mal preparado. E terminou essa encenação como último cartaz de campanha, um cartaz tipo Calimero, fazendo queixinhas sobre a oposição que atacava o PS....

Ontem à noite, Sóacrates perdeu a arrogância típica daqueles a quem o poder lhes sobe à cabeça. Percebeu finalmente que não é impune. Mais: percebeu que perdeu para uma oposição fraca, de má qualidade. O actual PSD está longe dos seus tempos áureos e mesmo assim ganhou! Com um PSD forte, o PS arrisca-se a ser cilindrado em breve (e o PSD tem todas as condições para ficar mais forte e unido depois destes resultados). E perdeu também para a esquerda! Para toda a esquerda, dos dinossauricos comunistas aos leves e frescos bloquistas da esquerda caviar.

Termino com uma citação de Martim Avillez Figueiredo no “i” de hoje: “um país melhora quando aqueles que têm o poder percebem que ele vai e vem com esta velocidade. Isto torna-os mais humanos, mais conscientes do seu verdadeiro poder. Portugal, por isso, já está a ganhar.”

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

A bem da diminuição da taxa de abando nas escolas

O actual Governo tem uma concepção marxista sobre educação sexual: o Estado manda e as famílias obedecem! A questão da educação sexual nas escolas passa por anular a figura do Enc. de Educação - supostamente aquele que é encarregado da educação dos seus filhos (ou outros educandos) - que passa a ter de colocar as crianças em locais onde se defende a distribuição de preservativos, da pílula do dia seguinte e - se calhar - se irão criar espaços reservados para a intimidade entre alunos que passarão a fazer parte do Projecto Curricular das escolas.

Percebe-se que o eng. Sócrates queira diminuir a taxa de abandono escolar. E que esta estratégia tenha como objectivo transformar as escolas em bordéis mais ou menos assumidos, nos quais menores são incentivados - entre uma aula de Matemática e outra de Português - a desenvolver as suas competências na área das práticas sexuais. Talvez não esteja longe o tempo em que se irão propor aos alunos actividades deste tipo em grupo, como tema principal da Área de Projecto.

O que a mim me faz alguma confusão é perceber porque é que o eng. Sócrates acha que os meus filhos devem ser obrigados a frequentar espaços onde se facilita e incentiva as relações sesuais entre menores. Será ele um iluminado que despreza o meu papel de educador dos meus filhos? Será que os valores e a (falta de) ética do eng. Sócrates e seus camaradas terão de ser impostos aos jovens, quer as suas famílias o queiram ou não?

Ministra da Educação pede desculpa...


A Ministra da Educação pede desculpa aos professores por não ter "desmontado as acusações dos sindicatos". Na verdade, o que ela gostaria era de ter "desmontado" os próprios sindicatos, para que eles deixassem de a incomodar...

segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Almeida Santos

« Não se paga aos deputados o suficiente para que sejam todos apenas profissionais. Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira. Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República». (Almeida Santos)


Será Alzheimer ou apenas falta de vergonha?

sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

O slogan da moda

Apesar de eu não acreditar nesta concretização, devido à ausência de qualquer qualidade por parte das alternativas políticas que temos.

segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Registos biográficos de José Sócrates - descubra as diferenças

Entramos em 2009 com um primeiro ministro que é o oposto de Cavaco Silva quando esteve à frente do Governo. Nessa altura, Cavaco dizia que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. Sócrates, raramente acerta e é uma pessoa cheia de dúvidas. Nem a preencher o seu registo biográfico da Assembleia da República conseguiu acertar à primeira. Por isso, na 1ª versão da papelada aparece como "Engenheiro" e a sua habilitação é a de "Engenheiro Civil", e na segunda versão surge como "Engenheiro Técnico" e a sua habilitação é a de "Bacharelato em Engenharia Civil".
Devemos ser dos únicos países em que o chefe de Governo, à medida que o tempo passa, em vez de ficar academicamente mais qualificado, vai perdendo qualificações.
E depois, passamos a vida a ouvi-lo falar de exigência, de seriedade, de competência...

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Magalhães ou Bartolomeu?

O Magalhães de Sócrates deveria chamar-se Bartolomeu Dias! Afinal, foi Bartolomeu Dias o responsável pela dobragem do Cabo das Tormentas e o portátil coqueluche do nosso Governo parece andar a navegar em águas tão tempestuosas quanto as do cabo do sul de África: apenas 10% dos pedidos foram satisfeitos até agora e não há dinheiro para pagar às operadoras a ligação à internet. Não deixa de ser curioso que Sócrates, que recolheu os louros das manobras de propaganda e da encenação circense com entregas de portáteis a criancinhas rodeadas por câmaras de televisão, tenha agora tentado pôr as autarquias a pagar as ligações "magalhaicas" à net! Ficariam assim os benefícios para o poder central e as despesas para o poder local! É o chico-espertismo no seu expoente máximo!

segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Os sapatos que atacaram Bush

Bush foi atacado por um jornalista iraniano que lhe mandou com dois sapatos. Segundo o irmão do "atirador", este já há 7 meses tinha feito esta promessa de mandar com as xanatas ao presidente dos EUA.

O que não se sabe é se, nesses 7 meses, o jornalista lavou os pés. Se não o fez, o ataque pode ser enquadrado numa acção com armas químicas e biológicas!

quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Armas boas para eliminar bandidos

Em 2006 o Governo prometeu à PSP e à GNR pistolas Glock 19, de 9mm. Ao fim de alguns anos as pistolas começaram a ser distribuídas e rapidamente se percebeu que havia uns pequenos detalhes curiosos nestas armas. Esses detalhes terão sido provocados por alterações nos modelos originais, impostas pelo Ministério da Administração Interna e que fazem com que:
- Os carregadores caiam antes de ser disparado qualquer tiro!
- Os invólucros saltem para os olhos de quem dispara!
- Os botões de segurança e de libertação do carregador estejam tão próximos que é muito fácil em situações de stress o agente confundir os dois!

Consta que foi dada ordem às forças de segurança para descurarem a vigilância aos depósitos onde estas armas estão guardadas. Primeiro porque os polícias não as podem usar pois não têm coldres adequados (sorte a deles!); depois porque se esses depósitos forem assaltados, os bandidos ficarão na posse de armas tão más que qualquer futuro assalto redundará num fracasso. E com o riscos de os atiradores serem atingidos pelos próprios invólucros, nem é preciso a actuação da polícia! Os maus da fita eliminam-se a si mesmos!

Magalhães à venda nas feiras

Segundo consta, já há várias feiras por este país onde se podem encontrar Magalhães à venda. Ora aí está uma forma interessante de minorar a crise por parte de famílias de etnia cigana cujos filhos recebem as máquinas e depois estas servem para arranjar uns cobres que dão imenso jeito! No aproveitar é que está o ganho!

Toxinas inofensivas

Foram colocadas 24 toneladas de carne de porco à venda, com dioxinas. Os níveis de toxinas, segundo consta, são 100 vezes superiores ao máximo permitido na União Europeia. Parece ser um caso grave!

As autoridades portuguesas dizem que os riscos são mínimos e que não há perigo para a saúde pública! Afinal, os portugueses podem consumir alimentos com níveis de toxinas 100 vezes superiores às permitidas pela UE que isso, para quem nos governa, é um detalhe sem qualquer importância.

No entanto, a ASAE foi colocada em acção, para tentar descobrir a carne inofensiva! O que não deixa de ser curioso, pois temos então inspectores a fazer investigações sobre um tema que é, para os nossos governantes, irrelevante!

sábado, 6 de Dezembro de 2008

Bloco central

A actual situação política portuguesa deve ser um case study a nível mundial: temos um partido com maioria absoluta e que, para além disso, é apoiado pelo maior partido da oposição! A votação da proposta de suspensão do actual sistema de avaliação dos professores foi chumbada porque o principal partido da oposição tinha 30 deputados ausentes! Com esses deputados a trabalhar para aquilo que são pagos, pois foram eleitos para estarem na Assembleia, a proposta do CDS teria sido aprovada, com votos a favor dentro do próprio PS!

Para além desta situação que apenas nos mostra como os deputados vivem bem à custa dos dinheiros públicos – trabalhando o mínimo possível e aproveitando fins-de-semana alargados com mais um diazito de folga que dá sempre jeito - o que faz mais impressão é ver depois o líder da bancada do PSD a assumir como perfeitamente normal a falta de 30 dos seus deputados! Claro que com um líder assim, se percebe a permissividade que grassa pela bancada laranja. Valha-nos a posição de Manuela Ferreira Leite, de crítica severa aos faltosos, mas que, possivelmente, vai acabar por não ter quaisquer consequências práticas.

A moral disto tudo é clara: temos uma democracia podre, com gente incompetente e de sem ética, que encara os seus cargos de supostos representantes dos cidadãos que os elegeram como meros "tachos" para uma vidazinha descansada e bem paga! Sem serem avaliados…

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Valter Lemos: a maior parte das escolas está aberta... mesmo que não tenha aulas!

“Apesar dos elevados níveis de adesão, a maioria das escolas está aberta. Algumas com aulas, outras eventualmente sem aulas”, disse hoje Valter Lemos.
Não deixa de ser curioso o conceito de "escola aberta" para o Secretário de Estado da Educação: para ele, uma escola pode ser considerada aberta, mesmo que não tenha aulas a decorrer! Será que basta ter o portão aberto? Ou uma simples janela? Ou algum buraquinho no telhado?
A verdade é que, neste mundo virtual criado no Ministério da Educação, o conceito de escola aberta, mesmo sem aulas, está na linha do conceito de sucesso escolar, mesmo sem aprendizagem. Vale tudo para ficar bem nas estatísticas.

quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Em redor da morte de um pai

21 de Novembro, 8 horas da manhã. O meu pai tem um AVC e os sintomas são logo reconhecidos pela minha mãe. Liga de imediato para o 112 e pede que lhe enviem o INEM pois a situação é grave. Diz à telefonista que é um AVC até porque ele já tivera um outro há um ano e meio. É-lhe dito que o INEM vai a caminho.
Ao fim de algum tempo chega a casa dos meus pais uma ambulância… dos bombeiros. Desesperada, a minha mãe questiona-os sobre o motivo de estarem eles ali e não o INEM. Resposta: “Tem de se seguir o protocolo”. Nesta altura já o meu pai está a entrar em coma. A ambulância sai da aldeia de Aranhas (Beira Baixa) e dirige-se ao centro de saúde de Penamacor, situado a 9 kms de distância. Ali, fazem o que podem, mas sem quaisquer possibilidades de resolver o que quer que seja. É então chamado o INEM. Mais um longo período de espera, com o meu pai já em coma.
O INEM segue para o Hospital de Castelo Branco. Ao fim da manhã dá entrada nesse hospital. Entretanto já várias horas se tinham passado. Depois de alguns exames é diagnosticado aquilo que a minha mãe tinha referido às 8 da manhã no telefonema que fizeram para o 112: um derrame cerebral que só tinha uma hipótese de resolução - uma operação à zona atingida. Só que o Hospital de Castelo Branco não tinha neurocirurgião! Solução? A transferência para Lisboa.
Mais uma longa espera… à espera do INEM. Passam já das 14 horas quando o INEM parte para Lisboa com o meu pai. Por volta das 17 horas dá entrada no Hospital de Santa Maria. É submetido a exames que indicam o pior: o derrame tinha atingido o tronco cerebral e a situação era irreversível. As hipóteses de sobrevivência eram nulas e era tudo uma questão de horas. Doze horas depois de ter tido um AVC, eu estava a dar à minha mãe uma das piores notícias que se pode dar: a de que o seu marido estava condenado a morrer.
15 horas depois o meu pai morreu. Possivelmente o derrame cerebral foi de tal forma violento que o destino ficou marcado naquele minuto em que ele disse à minha mãe que estava com dores insuportáveis de cabeça. Possivelmente nada mais haveria a fazer. Mas a verdade é que fica o exemplo da vergonhosa forma como funciona o nosso sistema de saúde. Fazem-se campanhas nos meios de comunicação social apelando a que as pessoas de imediato avisem o INEM em situações que indiciem um AVC. Diz-se que, nestes casos, um segundo pode salvar uma vida. Das 8 da manhã às 5 da tarde, o meu pai andou nas mãos de um sistema incompetente, burocrático, sem flexibilidade (que segue protocolos em vez de actuar de acordo com as circunstâncias) e que é digno de um qualquer país subdesenvolvido. Num país civilizado e que respeita os seus doentes, o meu pai estaria num hospital digno desse nome ao fim de poucas horas. Em Portugal, entrou em Santa Maria – a 270 kms de distância do local em que se encontrava quando sofreu o ataque – ao fim de 9 horas.
O meu pai tinha 68 anos. Talvez tivesse acontecido o mesmo desfecho se o nosso sistema de saúde fosse digno desse nome. Mas viver num país assim tão triste que, entre tentar salvar uma vida ou seguir um protocolo, opta pela segunda hipótese, deixa-me envergonhado. E a hipocrisia de quem tem responsabilidades no funcionamento de todas estas estruturas e alinha em campanhas de prevenção que depois são estraçalhadas pela incompetência de INEMs e outros que tais torna tudo ainda mais vergonhoso.
No fim de tudo, para o INEM, foi apenas mais um caso. Os responsáveis continuam impávidos e serenos, insensíveis às decisões criminosas que vão tomando de ânimo leve. Certamente que dormem descansados, pois quando não há competência, também não há remorsos do mal que se faz. E como ninguém acredita que a justiça funcione nestes casos (como não funciona em muitos outros), nem vale a pena tentar responsabilizar quem quer que seja.

quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Futebol com bolinha vermelha

Ontem assisti apenas à primeira parte do jogo da selecção Sub 21 contra a Espanha. Ao intervalo desliguei a televisão, não porque estivesse descontente com o resultado e a exibição, mas porque a colocação estratégica de microfones junto ao banco português fazia com que, várias vezes por minuto, se ouvissem palavrões em altos berros, transformando a transmissão num repositório de linguagem obscena. Ninguém na TVI pensou que o jogo estaria a ser visto por milhares de crianças?
Aliás, esta táctica não é nova. Já aconteceu por diversas vezes e faz com que um jogo visto em família, com filhos pequenos, se transforme em algo de embaraçoso. Por isso, desliguei a televisão. E deixo os meus agradecimentos à TVI pela brilhante ideia.

terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Dá cá o Magalhães sff

O nosso Primeiro Ministro foi inaugurar umas escolas em Ponte de Lima. Chamou a comunicação social e lá encenou o admirável mundo novo português. Qual Pai Natal, distribuíu Magalhães pelas criancinhas embevecidas. Mais uma vez, Sócrates levava a luz ao mundo das trevas, iluminava o futuro daqueles miúdos que passavam a ter um Magalhães!
Acabou o espectáculo circense, apagaram-se as luzes e a comunicação social foi-se embora. Ao fim do dia, os Magalhães foram retirados aos petizes. Chama-se a isto poupar. Em tempo decrise, isto de cada criancinha ter um computador é um luxo. Assim, os nosso Governantes podem fazer um périplo pelas escolas todas do país com meia dúzia de portáteis, os alunos usam-nos por um dia e depois devolvem-nos. Chama-se a isso gerir de forma parcimoniosaos dinheiros públicos.

No Name Boys investigados pela Polícia

Todos sabemos que as claques são fundamentais para a vida em sociedade. Os jovens encontram aí espaços para dar largas aos seus instintos mais primários o que, numa época de crise como a nossa, não deixa de ser positivo. Para além disso, as claques são responsáveis por destruírem estações de serviço, carruagens de comboios, veículos (sobretudo se forem de clubes inimigos), o que contribui para o desenvolvimento económico do país. Com a falta de trabalho que por aí anda, destruir essas coisas todas implica que alguém depois as arranje, ou seja, aumenta os postos de trabalho entre os mecânicos, bate chapas, pintores, estucadores, etc.

Por isso, parece-me mal esta perseguição às claques. Aliás, nem sei se é legal perseguir uma coisa que não existe. É que os No Name Boys não existem (e não estou a falar em termos metafóricos, mas refiro-me à sua inexistência enquanto seres racionais e com alguma capacidade reflexiva). Não existem mesmo!

Eu sou benfiquista, mas já tinha ficado chateado com os ataques aos Super Dragões. Afinal, o líder deste grupo simpático até sabe escrever, publicou um livro e tudo onde contava como espancavam pessoas e escaqueiravam estabelecimentos! Mas ao menos esses existem. Os No Name Boys não, mesmo que tenham uma "casinha" no estádio da Luz.

Acusam os rapazes das claques de, muitas vezes, ostentarem símbolos nazis. Mas isso também acontece no Parlamento da Madeira e não foi por isso que a Polícia lá foi chatear os deputados. Parece-me uma enorme discriminação.

Também os acusam de consumir drogas. Quer dizer, se estivessem na prisão davam-lhes seringas para se injectarem, assim são acusados de fazerem o mesmo cá fora. É, definitivamente, uma enorme injustiça. E depois, há aqui outra enorme injustiça. Então e a Juve Leo? Essa não é investigada? Ok, percebe-se que os Sportinguistas já sofrem o suficiente tendo de ouvir o Paulo Bento a falar, mas mesmo assim...

segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Mais um recuo do Ministério da Educação

A notícia foi divulgada pela Agência Lusa:

Ministra assinou despacho que desobriga a exame extra em caso de faltas justificadas

Lisboa, 16 Nov (Lusa) - A ministra da Educação assinou hoje um despacho, que entra em vigor segunda-feira, que "clarifica de uma vez por todas" o regime de faltas e desobriga os alunos com faltas justificadas à realização de um exame suplementar.

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, sublinhou que o despacho obriga ainda as escolas cujo regulamento interno não seja explícito sobre o regime de faltas do Estatuto do Aluno a adaptarem-nos às novas normas, para que os alunos não sejam obrigados a realizar qualquer exame suplementar.
Segundo o secretário de Estado, os alunos com faltas justificados têm contudo que passar por uma avaliação "de forma simplificada" que permita ao professor aferir as matérias que o aluno não aprendeu durante a ausência às aulas para que a escola possa estabelecer "medidas de apoio na sua recuperação".
Valter Lemos referiu que o despacho surge na sequência de várias "discrepâncias" relativamente às faltas justificadas por doença, que obrigariam os alunos à realização de um exame suplementar e mesmo à sua reprovação.
O secretário de Estado admitiu ainda que os regulamentos internos de algumas escolas "não eram claros sobre essa questão", mas garantiu que das faltas justificadas por doença não decorre "a aplicação de nenhuma medida disciplinar, sancionatória ou correctiva" tal como não "pode decorrer nenhuma reprovação do aluno, nenhuma retenção nem nenhuma exclusão".
"Quando há faltas justificadas, a prova de recuperação que o aluno tenha que fazer relativamente às aprendizagens que não tenha feito no período de ausência destina-se exclusivamente ao diagnóstico por parte do professor das aprendizagens não feitas para o estabelecimento de medidas de apoio por parte do professor e da escola para recuperação do aluno", sublinhou.
"Em absolutamente caso nenhum o aluno pode ter qualquer penalidade seja do ponto de vista da frequência seja do ponto de vista disciplinar por essas faltas", concluiu Valter Lemos.

domingo, 16 de Novembro de 2008

Polícia impedida de divulgar dados comprometedores para o Governo

Depois das mega manifestações de professores, o Governo responde: a PSP deixa de poder divulgar o número de participantes em manifestações. Ora aí está a forma como Sócrates e os seus camaradas entendem a democracia. Já que não se pode impedir que as pessoas se manifestem (pelo menos, para já), limitem-se os efeitos das manifestações escondendo aquele tipo de informação que pode ser desagradável para o Governo.
Cada dia que passa, Sócrates acentua a sua veia autoritária, do quero, posso e mando. Escudado na existência de uma oposição medíocre (para sermos simpáticos), com um PSD completamente à deriva, um CDS que ninguém leva a sério enquanto tiver Paulo Portas à frente, um PCP pré-histórico que continua agarrado a um saudosimo leninista-estalinista e um BE que pode ter algum pitoresco pela irreverência mas que certamente ninguém acredita que tenha capacidade de governar um país, o Primeiro Ministro sente-se intocável e já se vê a ganhar as eleições em 2009.
Quando um Governante consegue manter o poder por ausência de adversários minimamente credíveis, mal está a democracia. Claro que isso pouco interessa a Sócrates e seus ministros. O importante para eles é a manutenção do poder a qualquer custo. Possivelmente irão consegui-lo. Até que chegue um momento em que a população acabe por perder a fé na democracia podre que os nossos governantes têm construído. Já vivemos momentos assim no passado.

sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

O que eles dizem da Educação: José Alberto Quaresma

Terça-feira, 11 de Nov de 2008 Os professores voltaram a sair à rua a um sábado. Em maior número do que em Março passado. Não conheço, na democracia portuguesa, nenhum grupo profissional que tenha expressado de forma tão massiva o seu descontentamento. Mais de 80% da totalidade dos seus membros é muita gente. Entre eles estão dezenas de milhar de eleitores do partido que está no Governo.
A socióloga emprestada à Educação devia ser a primeira a compreender o significado dos números. Mas não. Prefere fingir continuar a reinar com tranquilidade e determinação contra tão esmagadora prova de insatisfação. A pensar apenas na maquilhagem de estatísticas para inglês ver.
A birra, a caturrice, o aferro, a obstinação, não são pose de Estado. Evidenciam, isso sim, a pose do estado de fraqueza de convicções sobre a Educação. E esta sob a físsil casca de um autoritarismo de má memória.
A teimosia paga-se com teimosia. É um convite a que se faça o menos possível sob a capa do mais possível. Um relatório de desempenho docente também pode ser uma peça de ficção. Um professor contrafeito estimula melhor a sua imaginação para a inércia pró-passiva. Quem se trama é o aluno que precisa a serenidade da paixão e da alacridade do professor na escola.
Muitos pais não entendem isto. Até mesmo o seu representante vitalício, Albino Almeida, futuro presidente da Confederação dos Avós e Bisavós de Portugal. Já veio mostrar preocupação por uma putativa greve dos professores - um direito constitucional inalienável -, em Janeiro do próximo ano, que não se sabe se virá a acontecer. O ministério, para além de já o ter remunerado e bem, devia condecorar este seu virtuoso virtual 'secretário' de Estado para os assuntos da família. A untuosa bajulice merece alvíssaras.
Os professores ganharam a unidade entre si. Mas ainda não ganharam o coração dos portugueses, nomeadamente o dos encarregados de educação. E precisam. Precisam de aclarar que querem avaliação objectiva. Que não são todos iguais como gémeos univitelinos. Que estão a favor do princípio de que o balda (e existe) deve ser penalizado, na progressão na carreira, face ao professor empenhado. Sendo essa a vontade inequívoca da maioria, a mensagem não tem passado.
Os professores devem esforçar-se por esclarecer que estão submergidos em papel numa avaliação criada, em 'copy/paste', do modelo chileno. Que a sobrecarga burocrática é feita à custa da energia que devia estar na preparação das aulas e nas actividades curriculares. Que não há universalidade, nem equidade, na avaliação uma vez que cada escola inventa, como pode, a sua. E que não faz sentido que um professor de Matemática seja avaliado pelo colega do lado que é professor de Educação Visual. Ou que um professor de Francês avalie um colega de Inglês. Ou que, numa escola secundária que conheço bem, um professor doutorado, com a mais alta classificação, não seja 'titular' e esteja a ser avaliado por uma colega que é apenas licenciada. E não é titular porque esteve uns anos a trabalhar como um moiro para... fazer o doutoramento!
E muitas outras coisas especiosas que este modelo de avaliação contempla e que quem não está nas escolas desconhece. Que, por exemplo, é o ministro das Finanças quem estabelece as quotas que, em última instância, determinam o número de professores com 'Muito Bom' ou 'Excelente'. E que, para ter 'Excelente', o professor tem de ter zero por cento de faltas. Se tiver de prestar a última homenagem a um familiar próximo, e faltar, azar! Enquanto há avaliadores que são obrigados a deixar os seus alunos do 12.º ano sem aulas. Para quê? Para avaliar colegas!
Excelentes professores, esses sim, que deram uma vida à escola, profundamente desmoralizados, estão a pedir a aposentação antecipada. Com penalizações substantivas, nas suas pensões de reforma, vão para casa. Não seria mais económico, e mais sensato, mandar para casa apenas uma senhora? Quem diz para casa, diz para a universidade. Claro. Para exercer na plenitude a sua vocação autoritária, perdão, a sua autoridade... científica!
In http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/450024

quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

A "relegião" no Nordeste

O site Nordeste Digital pretende, segundo as suas próprias palavras, divulgar as "Artes, Cultura, Ambiente, Património do Nordeste". Se quisermos saber informações sobre a religião romana nessa região, temos um artigo assinado pela Dra. Maria da Conceição Correia Fernandes. Como se pode ver pela imagem o título é elucidativo: "A relegião".
Ok, gralhas acontecem, mas assim tão evidentes, num título? E ninguém lá pelo nordeste dá por nada? Andam muito distraídos... ou a precisar de umas revisões sobre a língua portuguesa!

quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Um post auditivo: o que eles dizem sobre a Educação em Portugal neste momento

«Pano para Mangas» de João Gobern na Antena 1
http://195.245.168.21/rtpfiles/audio/wavrss/at1/227514_35441-0810300924.wma

Fernando Alves na TSF
http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1041730

José Sócrates, o ancião

"Fenómeno – José Sócrates acompanhou com três anos de idade as presidenciais norte-americanas
As palavras são do primeiro-ministro José Sócrates na extensa entrevista que concedeu no último fim-de-semana: «Sou, digamos assim, da geração Kennedy. Essa eleição representou já um momento histórico. Lembro-me do debate que houve na América quando, pela primeira vez, um católico se candidatou a presidente. O próprio Kennedy teve de vincar bem que nunca receberia ordens do Papa enquanto presidente dos EUA. Lembro-me bem do que isso significou.»
Nos meios socialistas e não só estas palavras causaram espanto ou perplexidade. O caso não é para menos: se a biografia oficial está correcta, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa nasceu no dia 6 de Setembro de 1957 em Vilar de Maçada, concelho de Alijó, distrito de Vila Real. E John F. Kennedy foi eleito presidente dos EUA em Novembro de 1960, com uma vantagem de 112 881 votos sobre o republicano Richard Nixon. Isto é, nesse tempo José Sócrates tinha três anos de idade. Perante estes factos, há quem entenda que o primeiro-ministro é um sobredotado. Mas há quem tenha outra explicação para este facto extraordinário. A certidão de nascimento pode ter sido adulterada por alguém ou o registo ter sido feito mais tarde e Sócrates ser mais velho do que pensa."

António Ribeiro Ferreira[in CORREIO DA MANHÃ, 31.10.2008]

Segundo fontes do Governo, na próxima entrevista que der a um jornal Sócrates irá revelar de que forma ficou fortemente impressionado ao assistir a toda a agitação que percorreu Lisboa no dia 5 de Outubro de 1910, data da implantação da República. Revelará também que em relação à Revolução Francesa de 1789, apenas tem uma vaga memória...

Maria de Lurdes Rodrigues - a Ministra Calimero

José Sócrates - Que chatice, pá! Desde que foi atacada por aqueles alunos que lhe mandaram uns ovos, acha-se o Calimero e vem às cerimónias oficiais com uma casca de ovo na cabeça! Assim, não há Magalhães que resista!

Então e as suas certezas sra. Ministra da Educação?

Esta notícia do Expresso parece indiciar o início do recuo da Ministra da Educação. Se, por um lado, esse recuo mostra bom senso, por outro revela que a posição de Maria de Lurdes até aqui foi de uma total arbitrariedade e autoritarismo. Sempre se mostrou a Ministra inflexível. Sempre defendeu que não recuaria. Sempre afirmou que se estava nas tintas para as pressões. Hoje o Ministério faz um recuo! Será que a D. Lurdes Rodrigues chega às eleições de 2009? Ou vamos assistir ao que aconteceu no Ministério da Saúde, onde Sócrates deixou cair um Ministro impopular que poderia roubar-lhe votos?

Vamos brincar às avaliações

Já toda a gente percebeu que este modelo de avaliação dos professores é um nado-morto. Claro que José Sócrates não quer dar o braço a torcer (pelo menos de forma explícita) e vai usando a Ministra neste braço de ferro com praticamente toda a classe docente. De tal forma este processo está moribundo que, todos os dias, se conhecem situações em que muitos assumem não o ir cumprirmo modelo lurdiano:
- A melhor escola pública dos rankings já anunciou que não vai avaliar os seus professores com este modelo. Vindo de uma escola com professores de qualidade (certamente terão contribuído para serem a que obteve melhores resultados no ano lectivo passado no ensino público) é difícil argumentar que esta recusa se deva ao medo que esses professores terão em ser submetidos a uma avaliação justa!
- Na Madeira, Alberto joão Jardim decretou a avaliação administrativa dos professores do arquipélago!
- No PS, Manuel Alegre humilha a Ministra, acusando-a de prepotente.
Com este clima, que não só uniu os professores como está a começar a colocar os alunos também ao seu lado (e não tardará que muitas famílias sigam este exemplo - tirando aquelas que são lideradas pelo sr. Albino e que encaram a escola como um depósito onde se colcam criancinhas ao nascer do Sol e se levantam já depois do Sol posto), este modelo de avaliação continua a ser encarada por Lurdes Rodrigues como positivo! Como disse Manuel Alegre em relação a esta senhora, estamos fartos "de pulsões e tiques autoritários, assim como de aqueles que não têm dúvidas, nunca se enganam, e pensam que podem tudo contra todos".

domingo, 9 de Novembro de 2008

A maior manifestação de sempre!

in Público (9 de Novembro)
120 mil professores na rua manifestado-se contra a política (des)educativa deste Governo tem de significar alguma coisa! Claro que um Governo não pode governar ao sabor de manifestações de rua, mas este movimento significa que algo de muito mau está a acontecer com as medidas tomadas na área do ensino.
Para mais, este movimento não foi uma iniciativa de sindicatos à qual responderam os professores; foi uma iniciativa de professores à qual responderam os sindicatos. E fica no ar a dúvida: será que estes 120 mil professores estão todos errados? Será que são todos uns energúmenos que não querem trabalhar e não aceitam ser submetidos à avaliação? Ou não será esta manifestação um sinal inequívoco de que algo está mal nas escolas, de que esta ministra transformou os estabelecimento de ensino em infernos burocráticos e em locais de injustiças profundas que levam a que milhares de professores já tenham pedido reformas antecipadas com perdas significativas de vencimentos?
Os bons governantes são os que sabem analisar os anseios da sua população e que adequam as políticas ao bem comum. Este Governo tem ido por outro caminho, o do autismo reforçado pela crença de que tudo pode fazer pois não há alternativa credível no país. Infelizmente tem razão quanto à inexistência de uma alternativa política credível. Pena é que aproveite tal facto para atingir metas mesquinhas: menos custos com a educação e um sucesso escolar administrativo, baixando a qualidade e o nível de exigência.
Maria de Lurdes Rodrigues já conseguiu o seu lugar na História. Certamente que será recordada, daqui por décadas, como uma das que mais contribuíu para o desprestígio do sistema de ensino em Portugal.

Professores transformados em técnicos de vendas

Durante muito tempo José Sócrates apregoou o Magalhães como o milgare do século XXI que, para além do mais, ficaria a custo zero para o Governo, pois a adesão à internet fornecida por várias operadoras, permitiria suportar esses custos.
Na Visão desta semana, o Ministro Mário Lino vem dizer que, afinal, se calhar o Governo vai ter de entrar com uns cobres. Afirmou ele. "Todas as crianças vão ter computador, queiram ou não a ligação [à Internet]. Se o dinheiro dos operadores for insuficiente, o Estado terá de colmatar a parte que falta."
Percebe-se agora porque é que o eng. Sócrates e a D. Lurdes estabeleceram que os professores passem a desempenhar também as tarefas de vendedores de Magalhães às criancinhas e aos pais das criancinhas! Já devem andar aflitos com o que toda esta brincadeira vai custar aos cofres públicos e, por isso, nada como alargar a rede de vendedores, estes sim a custo zero, pois não ganham nada em impingir as maquinetas. Parece-me mal, acho que deveria haver aqui umas comissõezitas! Ou, pelo menos, estabelecer uns créditos: por cada 10 Magalhães vendidos, 1 crédito. Por cada 5 que se ligassem à Internet, mais um crédito! Ao fim de 50 Magalhães vendidos, oferta de um computador ao professor!
Podia também criar-se um esquema como aquela venda encapotada de colchões: ligava-se para casa das pessoas, dizia-se-lhes que tinham ganho um prémio e mandavam-se ir a uma escola levantar o brinde. Uma vez lá dentro, colocavam-se as pessoas na sala a ouvir a Ministra da Educação durante 2 horas e, no fim, já com toda a gente completamente destroçada psicologicamente, era só fazê-los assinar um documento de compra com ligação à net já incluída!

sábado, 8 de Novembro de 2008

O regresso de Odete Santos

A camarada Odete Santos, que tantas vezes animou a vida política portuguesa, vai regressar à ribalta. Desta vez como advogada de dois vândalos comunistas que se divertiam a grafitar o viaduto em Viseu com mensagens políticas. A camarada Odete acha que isto de preservar o património público é uma chatice pois inibe os instintos criativos e tem características fascizantes. Talvez fosse interessante saber o que acharia a ilustre advogada sobre a possibilidade de alguns membros do PNR irem grafitar as paredes da sua casa.

terça-feira, 4 de Novembro de 2008

O conceito de supervisão de Vitor Constâncio

Nesta história do BPN, o Banco de Portugal sai muito mal visto. Os meios de comunicação social referem que, pelo menos desde Março, o BP tinha sido avisado dos esquemas menos correctos que estavam a ser praticados pelo BPN. Agora, Vítor Constãncio aparece com ar cãndido a dizer que o seu papel e o da instituição a que preside, não tem que fazer "espionagem" sobre a actuação da banca portuguesa. Segundo ele, cabe ao BP aceitar como verdadeiros os relatórios que os bancos lhe enviam.
Perante isto, a dúvida que se coloca é simples: se cabe a Vítor Constâncio a tarefa de apenas recolher a assinar de cruz os relatórios que lhe entregam, isso não podia ser feito por um qualquer funcionário público que ganhasse 10 vezes menos do que ele? É que os chorudos vencimentos de Constâncio e de toda a sua entourage não parecem estar de acordo com o desempenho de meras funções burocráticas. E uma vez que o Governador do BP fala tanto em apertar o cinto, talvez não fosse má ideia o Governo começar a poupar uns milhares de euros mensais no seu vencimento.

domingo, 2 de Novembro de 2008

O Governo caterpillar

Notícia publicada no Correio da Manhã.

O Governo já está a analisar os locais onde se vai instalar a fábrica que irá lidar com os restos dos trabalhadores que forem trucidados pelo Secretário de Estado. Sabe-se que será usado o processo de co-incineração, apesar de alguns membros do Executivo terem defendido que um aterro sanitário talvez fosse a melhor solução.

sábado, 1 de Novembro de 2008

O grande Teixeira dos Santos!

Na proposta de Orçamento do Estado, apresentado pelo Governo, surgia lá pelo meio, assim como quem não quer a coisa, uma alteração à Lei de Financiamento dos Partidos. O Ministro das Finanças, supostamente o responsável pelo orçamento, disse que não sabia quem lá tinha colocado aquilo! O que nos faz pensar que não foi Teixeira dos Santos o responsável pelo texto entregue na Assembleia da República.
Esta atitude só mostra bom senso por parte do ministro das Finanças. É que todos percebemos que deve ser uma seca escrever um orçamento de Estado (aquilo é só contas e números e percentagens...). Daí que se suspeite que o ministro tenha pedido a uns conhecidos que escrevessem umas coisas em seu nome enquanto ele, possivelmente, tirou umas férias (bem merecidas, pois com a crise é só dores de cabeça). O único erro foi ele depois não se ter dado ao trabalho de ler a proposta antes de a enviar para a Assembleia! Mas também aqui se pode dar uma desculpa. O homem deve ter mais do que fazer. Imaginam alguém de bom senso a ler - ainda por cima num ecran de computador, que dá cabo da vista!) páginas e páginas de um texto tão enfadonho?
O que sobra disto tudo é um Ministro que:
1- Começa por entregar umas pendrives à oposição, na qual vem uma versão do orçamento em branco (foi um problema informático, alegou-se depois);
2- Entrega depois uma versão com partes que ninguém sabe quem escreveu!
Ah... o Ministro não foi demitido por incompetência! Afinal, tudo isto é normal num país alegadamente civilizado!

sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Abandono escolar




Portugal em 3º lugar!

Estamos em 3º lugar no preço dos combustíveis na Europa. O nosso obrigado às gasolineiras que actuam em Portugal, e ao Governo que as deixa actuar livremente, por nos colocarem no pelotão da frente numa área tão importante quanto a dos combustíveis fósseis!

quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Escolas em contentores? E têm rede wirless?

Segundo o site da TSF "O Sindicato dos Professores da Região Centro alertou, esta quarta-feira, para o estado degradado de um largo conjunto de jardins-de-infância e escolas do primeiro ciclo na região e denunciou casos de alunos que estão a ter aulas em contentores."
Segundo consta, ao saber da notícia a Ministra da Educação ficou furiosa pois os contentores podem impedir que a internet sem fios chegue aos alunos em boas condições. De imediato deu ordem para que fosse reforçado o sinal wirless para que as paredes dos contentores não impedissem o uso do Magalhães nessas escolas.
Que eles não tenham condições para aprender a ler, a escrever e a fazer contas ainda se tolera, agora que não possam aceder ao mundo virtual é que já é inadmissível!

José Sócrates: um Primeiro Ministro de banda desenhada

«Magalhães é o computador Tintim: dos 7 aos 77» (José Sócrates, Cimeira Ibero-Americana)

Interessante este conceito de conotar a realidade com a banda desenhada. E de repente vieram-me à cabeça algumas associações (meramente fictícias, qualquer semelhança com a realidade é pura ficção, como nas histórias aos quadradinhos):
- A Ministra da Educação - Maga Patalógica;
- Os administradores das gasolineiras que actuam em Portugal - irmãos Dalton;
- José Sócrates - Lucky Luke (versão actual, sem o cigarro na boca, mas com uma palhinha)
- Manuel Pinho, Ministro da Economia - Michel Vaillant
- Jerónimo de Sousa - Capuchinho Vermelho

O Zé faz falta

Uma das coisas que raramente me convence são os slogans dos partidos políticos em tempo de eleições. Aquilo soa-me sempre a falso e, normalmente, é tão vago que acaba por dar para tudo. Nas últimas eleições para a Câmara de Lisboa, o Bloco de Esquerda lançou José Sá Fernandes como seu candidato e o slogan da campanha foi "O Zé faz falta". A verdade é que, desta vez, o slogan acertou em cheio. Percebe-se agora que sim, que o Zé faz falta: faz falta ao PS para apoiar a vereadora Ana Sara Brito, envolvida na atribuição de casas a amigos e conhecidos, com critérios claros, como por exemplo, "atribuo porque sim!"

Ainda se lembram do discurso moralista de José Sá Fernandes na campanha? Da imagem de incorruptível e de defensor da honestidade política, que lhe rendeu tantos votos? Pois é... o Zé associa-se agora ao que de pior têm os nossos políticos: o de acharem que são donos do poder e não apenas representantes de quem os elegeu. A vereadora do PS também achou que sim, que era uma qualquer dona do poder em Lisboa, e que por isso, podia agir de acordo com os seus apetites. O Zé veio agora colocar-se ao seu lado.

A escola pública como linha de montagem

"A escola pública morreu, enquanto espaço democrático multifacetado (e idealista) de instrução científica e artística e de formação cívica — já o proclamei aqui algumas vezes. Foi abruptamente estilhaçada pelo maremoto dasdesconexas e demagógicas ordenações socratistas de 2008: novo estatuto do aluno, nova lei sobre o ensino especial, novo regulamento de avaliação de desempenho docente e novo modelo de gestão escolar. Foi desacreditada pela propaganda do ministério e da ministra que a tutelam e caiu em desgraça junto da opinião pública. Foi tomada por demasiados candidatos a futuros directores escolares embevecidos pelos decálogos de José Sócrates e inebriados pelas cartilhas sobre as dinâmicas de gestão no mundo neoliberal– afinal, as mesmas cartilhas que agora puseram o mundo à beira do caos. Foi pervertida pela imposição, por parte do Ministério da Educação, de um sistema burocrático kafkiano que visa obrigar os professores a fabricarem um sucesso educativo ilusório. Foi adulterada por alguns professores pragmáticos ou desprovidos de consciência crítica, os quais exibem a sua diligente e refinada burocracia como arma de arremesso para camuflar as suas limitações científicas, pedagógicas e culturais. E, neste momento, quando decorrem nas várias escolas eleições para os conselhos gerais transitórios, está a ser vítima de um já previsível mas intolerável processo de politização (no sentido mais pejorativo da palavra). Tal processo é dirigido por forças que em muitos casos se mantiveram durante anos alheados dos grandes problemas das escolas, mas que na actual conjuntura encaram estas instituições (outrora) educativas como tribunas privilegiadas para servirem maquiavélicos interesses de poder pessoal e/ou de carácter político-partidário.
A nova escola pública que está a emergir é uma farsa. Tornou-se um território deveras movediço, onde reina uma desmedida conflitualidade (e competitividade) social e política e uma grotesca e insuperável contradição entre os conceitos de 'escola inclusiva' e de 'pedagogia diferenciada'. Nesta instituição naufragaram, entretanto, num conspurcado lamaçal, os nobres ideais instrutivos, formativos e educativos. O famoso PC portátil'Magalhães', ofertado em grande escala, numa bem encenada operação de marketing, a alunos do primeiro ciclo que cada vez sabem menos de Português ou Matemática e utilizam os computadores somente para simples divertimento é, de resto, o mais recente exemplo do sentido irreal e burlesco das prioridades deste sistema educativo. A nova escola pública é hoje uma empresa gerida por muitos tecnocratas alinhados com a actual ordem política, e equipada por operários que se desejam amanuenses servis e catequizados na alegada única ideologia vigente (a qual — agora já todos o sabemos — se encontra manifestamente em crise). A verdadeira função desta espécie de mal engendrada e desalmada linha de montagem é produzir, automaticamente, em massa, de forma acelerada, e abaixos custos, duvidosos produtos estandardizados. Esta nova escola é, afinal, um hino ao velho Fordismo. O tal sistema que venerou o dinheiro como deus supremo do homo sapiens sapiens e que projectou um mundo sublime, onde o Homem é castrado da sua capacidade cognitiva e coagido a demitir-se das suas quotidianas obrigações familiares bem como de outros cívicos desígnios sociais em nome do lucro desenfreado (de uns poucos), da sobrevivência, do consumismo e do hedonismo desregrados. Aquele sistema perfeito superiormente ironizado por Aldous Huxley ('Admirável Mundo Novo') ou por Charlie Chaplin ('Tempos Modernos'), nos anos 30 do século XX, que está agora no epicentro de mais um 'tsunami' financeiro de consequências imprevisíveis para a humanidade, 'tsunami' esse cujas causas são reincidentes e estão bem diagnosticadas. Enfim, aquele implacável sistema materialista mecanicista e 'darwinista' cujo modo de vida John dos Passos também satirizou, numa obra datada dos mesmos anos 30 ('O Grande Capital'), com esta antológicas palavras: 'quinze minutos para almoçar, três para ir à casa de banho; por toda a parte a aceleração taylorizada: baixar, ajustar o berbequim-acertar a porca-apertar o parafuso. Baixarajustaroberbequimacertaraporcaapertaroparafuso, até que a última parcela de vida tenha sido aspirada pela produção e que os operários voltem para casa, trémulos, lívidos e completamente extenuados'. 'Porreiro pá!' Mas, pá, será esta a escola e o mundo que nós desejamos para os nossos alunos, para os nossos filhos?"

Luís Torgal, prof. catedrático da Univ. de Coimbra

Para que serve a blogoesfera?

Neste fascinante mundo dos blogues encontra-se de tudo. E, como em tudo na vida, há bons e maus blogues, bloguistas honestos e desonestos, gente que gosta de discutir civilizadamente os assuntos - sobretudo com quem tem opiniões divergentes - e outros que são incapazes de lidar com a diferença de opinião e, quando confrontados com as suas próprias contradições, transformam os seus espaços em áreas fechadas através da censura dos comentários que não lhes interessa que sejam publicados.
Essas pessoas deturpam a filosofia dos blogues. Arrogam-se ao direito de dar opinião mas impedem que quem discorda o possa dizer, mesmo que o faça com uma linguagem correcta. Na maior parte destes casos, percebe-se que os autores desses espaços são pessoas inseguras, incapazes de justificar aquilo que defendem. Gente que se limita a debitar frases feitas, mas que perante questões concretas deixa cair a máscara da sua pobreza de espírito. Normalmente são defensores acérrimos da liberdade (pelo menos assim o afirmam, embora depois não a pratiquem) e têm sempre grandes certezas sobre tudo e mais alguma coisa. Não têm dúvidas e nunca se enganam.
Esses blogues são piores que os que assumidamente servem de veículo de propaganda a determinadas ideologias. E são piores porque não assumem que não estão ali para debater ideias mas para fazer passar uma mensagem pré-definida. Vem isto a propósito de alguns blogues que visito regularmente e onde se dizem enormes alarvidades, nunca justificadas com factos concretos, e cujos autores, quando confrontados com as suas próprias contradições naquilo que escrevem, mudam as regras de funcionamento desses espaços deixando, por exemplo, de pubicar determinados comentários "incómodos". Chama-se a isso cobardia, pois quem assim actua está a assumir que se acha no direito de escrever o que quiser sobre o que quiser, de atacar determinadas pessoas, por vezes de forma eticamente reprovável, mas depois não autoriza que quem é visado nesses ataques possa rebater o que foi dito. É assim que actuam os ditadores.
A blogoesfera, como espaço fantástico de discussão e de troca de experiências e ideias, merecia muito mais. Mas temos sempre de ver o lado positivo das coisas: nesses blogues narcisistas, onde apenas o que não desmascara as incongruências dos seus autores é publicado, normalmente encontram-se textos tão maus, tão fraquinhos, que acabam por ser óptimos para dar umas risadas e para desanuviar do stress do dia a dia. Por isso aconselho a que se visitem, não para levar a sério o que lá é colocado, mas com o espírito de quem vai, por exemplo, ao circo.

quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

O milagre de Lurdes

"Foram mais de mil as escolas que este ano tiveram uma média no exame nacional de Matemática do 9.º ano igual ou superior a 2,5 valores (numa escala de 1 a 5). Em 2007, tinham sido apenas duas centenas. Esta é uma das principais conclusões das notas de exame por escola ontem divulgadas pelo Ministério da Educação.
Olhando para o conjunto das duas disciplinas que são sujeitas a exame nacional neste nível de ensino (Português e Matemática), a melhoria revela-se igualmente impressionante. Ao todo, 97 por cento (1254 num total de 1292) das escolas tiveram uma classificação positiva. No ano passado, o feito tinha sido alcançado por apenas 66 por cento.
No caso específico das provas do secundário, aconteceu algo de semelhante. A melhoria das médias nacionais, em particular na Matemática, levou a que a percentagem de escolas secundárias com classificações positivas (9,5 valores ou mais, numa escala de 0 a 20) nas oito disciplinas consideradas pelo PÚBLICO disparasse de 62 por cento para 87 por cento (525 em 604 escolas)." (in Público, 29 de Outubro de 2008)
Se estes resultados fossem minimamente sérios, Portugal passaria a ser um case study a nível mundial e teríamos a nossa Ministra da Educação a ser requisitada para viajar pelo mundo, explicando como num par de anos se conseguem diminuir radicalmente os níveis de insucesso num país. Infelizmente, este sucesso não passa de um mero sucesso administrativo, alicerçado numa política em que o nível baixou tanto que, um destes dias, os exames serão compostos apenas pelo nome do aluno e terá nota positiva quem o souber escrever sem erros.
O assunto podia ter alguma piada, não fosse a circunstância de estarmos a sacrificar uma geração a interesses mesquinhos dos actuais governantes que preferem hipotecar a educação dos jovens para obter estatísticas que possam apresentar interna e externamente. É o conceito de política ao contrário: não uma actividade em que os dirigentes estão ao serviço dos cidadãos, mas uma actividade que sacrifica os cidadãos para glória dos sesu dirigentes.

terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Os princípios de José António Saraiva

Quando surgiu o semanário Sol, José António Saraiva (JAS) revelou ao mundo (e aos portugueses) que, com ele, o jornalismo mundial (e português) iria entrar nos eixos. O Expresso oferecia DVDs, claramente uma forma de comprar os leitores e, segundo JAS, o Sol nunca faria tal. JAS afirmou mesmo que os DVD "são ofertas suicidárias", o que todos sabemos que é verdade. Aquilo é cortante, pode servir de faca e ser usado para cortar os pulsos num momento mais difícil da vida de cada um de nós.
JAS jurou também que "O Expresso fez uma reestruturação e começou a dar brindes, um caminho que nunca seguirei porque isso contraria os meus princípios enquanto director do jornal". Ficámos todos felizes pois iríamos ter um director de jornal com princípios. O que, nos dias que correm, é uma mais valia!
Ao fim de dois anos, o Sol oferece livros, DVs e, se tivermos sorte, qualquer dia ainda vai oferecer peluches ou óculos de Sol (esta última possibilidade parece-me que seria uma excelente jogada de marketing. Reparem no slogan: o Sol oferece óculos para o Sol").
As más línguas andam a dizer que JAS caíu na mais profunda contradição. Acho que não. O homem apenas evoluiu. E isso é bom, pois ficarmos presos a princípios imutáveis é próprio apenas de pessoas retrógadas. Claro que, ao lermos hoje as declarações de JAS feitas há dois anos, dá-nos alguma vontade de rir. Mas isso também é positivo, pois com a crise que por aí anda, são poucos os motivos que temos para fazermos um sorriso.
Ah... JAS também disse há dois anos "Dentro de três anos, o Sol será o maior e mais influente semanário nacional". Estão a ver como estas frases nos provocam de imediato sonoras gargalhadas!

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